que onda errada... 


 

Prólogo de uma carta muito grande

Eu realmente odeio o som dos pássaros cantando no raiar do dia, principalmente depois de passar, mais uma vez, a noite sem dormir. [...]

O contínuo seguiu seu fluxo, a realidade mudou, e hoje me vejo sentado repensando os erros do meu último dia. Mais uma vez não consegui dormir e calculo o quão afetado meu dia amanhã será. Sinto-me menos útil, no contexto sociedade, acho que estou produzindo menos. Talvez seja aquele velho enigma, a dúvida do que eu posso realmente produzir, do quão talentoso eu sou, uma pressão interna acerca das minhas capacidades - sucintamente, covardia com pitadas de preguiça. Gostaria de romper a inércia e evoluir nesse aspecto, mas minhas recentes reflexões acerca do que seria evoluir terminaram inconclusivas.

Sinto-me descolado da realidade material, me restando apenas a física de Heisenberg e Schrödinger - sou um morto-vivo cheio de incertezas, condição esta extremamente humana, porém só aguda para os que se prestam a pensar fora da caixa - que maldição. A ignorância sim, uma benção, visto que a felicidade é apenas uma interpretação da realidade - quanto menos embasada, melhor.

BATISTA, CECF

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